quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Alimentação e fome no mundo



Alberto Garuti
Resolver o problema da fomenão depende só dos países em desenvolvimento
Em 1974, durante a Conferência Mundial sobre Alimentação, as Nações Unidas estabeleceram que “todo homem, mulher, criança, tem o direito inalienável de ser livre da fome e da desnutrição...”. Portanto, a comunidade internacional deveria ter como maior objetivo a segurança alimentar, isto é, “o acesso, sempre, por parte de todos, a alimento suficiente para uma vida sadia e ativa”.
E isso quer dizer:

acesso ao alimento: é condição necessária, mas ainda não suficiente;
sempre: e não só em certos momentos;
por parte de todos: não bastam que os dados estatísticos sejam satisfatórios. É necessário que todos possam ter essa segurança
alimento para uma vida sadia e ativa: de acesso aos alimentos;
é importante que o alimento seja suficiente tanto do ponto de vista qualitativo como quantitativo. Os dados que possuímos dizem que estamos ainda muito longe dessa situação de segurança alimentar para todos os habitantes do planeta.

Quais são as causas?

A situação precisa ser enfrentada, pois uma pessoa faminta não é uma pessoa livre. Mas é preciso, em primeiro lugar, conhecer as causas que levam à fome. Muitos acham que as conhecem, mas não percebem que, quando falam delas, se limitam, muitas vezes, a repetir o que tantos já disseram e a apontar causas que não têm nada a ver com o verdadeiro problema. Por exemplo:
A fome é causada porque o mundo não pode produzir alimentos suficientes. Não é verdade! A terra tem recursos suficientes para alimentar a humanidade inteira.
A fome é devida ao fato de que somos “demais”. Também não é verdade! Há países muito populosos, como a China, onde todos os habitantes têm, todo dia, pelo menos uma quantidade mínima de alimentos e países muito pouco habitados, como a Bolívia, onde os pobres de verdade padecem fome!
No mundo há poucas terras cultiváveis! Também não é verdade. Por enquanto, há terras suficientes que, infelizmente, são cultivadas, muitas vezes, para fornecer alimentos aos países ricos!

As verdadeiras causas

As causas da fome no mundo são várias, não podem ser reduzidas a uma só. Entre elas indicamos:
As monoculturas: o produto nacional bruto (pib) de vários países depende, em muitos casos, de uma cultura só, como acontecia, alguns anos atrás, com o Brasil, cujo único produto de exportação era o café. Sem produções alternativas, a economia desses países depende muito do preço do produto, que é fixado em outros lugares, e das condições climáticas para garantir uma boa colheita.
Diferentes condições de troca entre os vários países: alguns países, ex-colônias, estão precisando cada vez mais de produtos manufaturados e de alta tecnologia, que eles não produzem e cujo preço é fixado pelos países que exportam. Os preços das matérias-primas, quase sempre o único produto de exportação dos países pobres, são fixados, de novo, pelos países que importam.
Multinacionais: são organizações em condições de realizar operações de caráter global, fugindo assim ao controle dos Estados nacionais ou de organizações internacionais. Elas constituem uma rede de poder supranacional. Querem conquistar mercados, investindo capitais privados e deslocando a produção onde os custos de trabalho, energia e matéria-prima são mais baixos e os direitos dos trabalhadores, limitados. Controlam 40% do comércio mundial e até 90% do comércio mundial dos bens de primeira necessidade.
Dívida externa: conforme a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a dívida está paralisando a possibilidade de países menos avançados de importar os alimentos dos quais precisam ou de dar à própria produção agrícola o necessário desenvolvimento. A dívida é contraída com os bancos particulares e com Institutos internacionais como o Fundo Monetário e o Banco Mundial. Para poder pagar os juros, tenta-se incrementar as exportações. Em certos países, 40% do que se arrecada com as exportações são gastos somente para pagar os juros da dívida externa. A dívida, infelizmente, continua inalterada ou aumenta.
Conflitos armados: o dinheiro necessário para providenciar alimento, água, educação, saúde e habitação de maneira suficiente para todos, durante um ano, corresponde a quanto o mundo inteiro gasta em menos de um mês na compra de armas. Além disso, os conflitos armados presentes em muitos países em desenvolvimento causam graves perdas e destruições em seu sistema produtivo primário.
Eis o que nos dizem as estatísticas:
- Há 800 milhões de pessoas desnutridas no mundo.
- 11 mil crianças morrem de fome a cada dia.
- Um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresentam atraso no crescimento físico e intelectual.
- 1,3 bilhão de pessoas no mundo não dispõe de água potável.
- 40% das mulheres dos países em desenvolvimento são anêmicas e encontram-se abaixo do peso.
- Uma pessoa a cada sete padece fome no mundo.
Desigualdades sociais: a luta contra a fome é, em primeiro lugar, luta contra a fome pela justiça social. As elites que estão no governo, controlando o acesso aos alimentos, mantêm e consolidam o próprio poder. Paradoxalmente, os que produzem alimento são os primeiros a sofrer por sua falta. Na maioria dos países, é muito mais fácil encontrar pessoas que passam fome em contextos rurais do que em contextos urbanos.
Neo-colonialismo: em 1945, através do reconhecimento do direito à autodeterminação dos povos, iniciou o processo de libertação dos países que até então eram colônias de outras nações. Mas, uma vez adquirida a independência, em muitos continuaram os conflitos internos que têm sua origem nos profundos desequilíbrios sociais herdados do colonialismo. Em muitos países, ao domínio colonial sucederam as ditaduras, apoiadas pela cumplicidade das superpotências e por acordos de cooperação com a antiga potência colonial. Isso deu origem ao neocolonialismo e as trocas comerciais continuaram a favorecer as mesmas potências.
Quando um país vive numa situação de miséria, podemos dizer que, praticamente, todas essas causas estão agindo ao mesmo tempo e estão na origem da fome de seus habitantes. Algumas delas dependem da situação do país, como o regime de monocultura, os conflitos armados e as desigualdades sociais. Elas serão eliminadas, quando e se o mesmo país conseguir um verda-deiro desenvolvimento. Mas outras causas já não dependem do próprio país em desenvolvimento, e sim da situação em nível internacional. Refiro-me às condições desiguais de troca entre as várias nações, à presença das multinacionais, ao peso da dívida externa e ao neocolonialismo. Isso quer dizer que os países em desenvolvimento, não conseguirão sozinhos vencer a miséria e a fome, a não ser que mudanças verdadeira-mente importantes aconteçam no relacionamento entre essas nações e as mais industrializadas.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009


A alimentação saudável é um dos pilares na nossa vida. Devemos saber escolher os alimentos que ingerimos diariamente, variando o mais possível a alimentação e abranger semanalmente um grande leque de alimentos. São algumas das regras básicas que nunca devemos esquecer, para contribuir para um fornecimento de nutrientes essenciais ao correcto funcionamento do nosso organismo. Todos os alimentos podem ter um lugar na alimentação, desde que usados correctamente e com bom senso . Existem alimentos que devem ser ingeridos ocasionalmente e outros consumidos em pequenas quantidades. Os vegetais assim como a fruta, devem estar presentes na alimentação diária, porque fornecem substâncias com propriedades antioxidantes que ajudam a neutralizar as substâncias tóxicas no organismo. A escolha de cereais mais escuros, são essenciais, porque fornecem mais fibras, vitaminas e minerais. Dê preferência ao peixe, em vez da carne. São vários os estudos científicos que apontam para a importância que o peixe tem na prevenção das doenças cardiovasculares.Peixes gordos A sardinha, a cavala, o salmão, o atum e a truta, são importantes fontes de Ómega 3 . O ácido alfa linolénico pertence à família do ómega 3 e é um ácido gordo essencial, porque o nosso organismo não o consegue sintetizar. A única forma de o obter é através da ingestão diária. É importante consumir quantidades suficientes de ómega 3, em todos os períodos da nossa vida, para assegurar a manutenção de uma boa saúde.Na infância , o consumo de quantidades suficientes destes ácidos gordos, permite assegurar o crescimento e desenvolvimento, incluindo o desenvolvimento cognitivo. Na fase adulta a ingestão de quantidades adequadas de ómega 3 , é indispensável, para um normal funcionamento do organismo e para prevenir doenças cardiovasculares. O ómega 3 assim como a gordura polinsaturada , são cardioprotectores muito potentes. Por isso, deve-se escolher as gorduras alimentares a utilizar na nossa alimentação. Gorduras saturadas As gorduras desempenham funções vitais no nosso organismo, porque entram em numerosas reacções químicas e fazem parte da parede das células. Deve-se privilegiar as gorduras de origem vegetal , em detrimento das gorduras de origem animal ricas em gorduras saturadas. A Organização Mundial de Saúde , recomenda que as gorduras sejam responsáveis por cerca de 30% das nossas necessidades calóricas diárias. Vários estudos demonstram ganhos em saúde, se reduzirmos o consumo de gordura saturada , (que se encontra especialmente nos alimentos de origem animal), substituindo por gorduras mais saudáveis, como as monoinsaturadas , como é o caso do azeite, e polinsaturadas , como é o caso de óleos vegetais e cremes vegetais para barrar. É importante que sejamos adeptos de uma alimentação saudável, mas não podemos esquecer que o exercício físico deve ser feito com regularidade.